Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Auto-Retrato - Desculpa, Ana...


Desculpa, Ana…

Escondeste o teu rosto
e esqueceste-te de ti, Ana..

Lágrimas, essas, sim
estão à vista de tudo e de todos;
esqueceste-te de as esconder
porque não as sabes evitar, Ana…

Porque esqueceste a Ana?
Porquê desistir, Ana?
Esquecer a Ana e esperar por outra…
Não gostar desta Ana
e querer outra Ana…

Porquê, Ana?

Procurar-te de nada serviu, Ana
Que fizeste tu à Ana?

Foste sonhar pela Ana
e a tua Ana morreu?
Então é disso de que são feitos os sonhos?
Voar o mais alto,
cair, de bem alto,
sem nunca ter voado realmente!

Ana, tu desiludes-me….

Tu tens medo do mundo, Ana…
Tu tens de medo de ti, Ana…
O rosto da Ana é feio,
os sonhos da Ana são monstros…

Mas o que é o bonito, Ana?
Sabes que o bonito não é o belo, Ana…

O belo é a Ana ser diferente.

Dorme, Ana…
Chora, Ana…
As lágrimas da Ana são belas,
e a Ana é bela.

Encontra-te, Ana…
Tu és a Ana!
Que importam as lágrimas, Ana?
A Ana és tu, e só importa a Ana!
Nada mais importa, minha Ana…

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Deus Quer, o Homem Sonha, a Obra Nasce...

Tal como Fernando Pessoa exprimiu na "Mensagem", o sonho é bastante importante na vida do ser humano.
No poema "D. Sebastião" da primeira parte da obra ("Brasão"), o autor faz referência ao sonho, à loucura e à grandeza que não se obtém de mão beijada. O sonho impele-nos a lutar, tal como D. Sebastião o fez. O sonho alimenta o ser humano. Sem ele, o Homem não seria mais que um ser destinado ao nascimento e à morte. Fechar-se-ia num casulo, entregue ao aborrecimento, sem nunca sentir as lágrimas da derrota, ou os beijos da vitória. Não conheceria nem as tormentas nem os prazeres da Vida. Não seria capaz de raciocinar nem de imaginar, entregue apenas à sua condição biológica. É no poema "D. Sebastião" que o sonho é defendido como algo que livra o Homem de ser apenas uma "besta sadia", um "cadáver adiado que procria". Tal como aconteceu em Portugal na época dos Descobrimentos, todas as grandes descobertas da Humanidade foram guiadas pelo sonho, pela ânsia de querer o impossível, de quebrar barreiras e limites que variam de século para século. Barreiras essas que vão sendo quebradas, à medida que "Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce". A evolução histórica faz-se de conquistas e de novas descobertas, guiadas pelo sonho. Assim se eliminam barreiras. Sonhando, o Homem chegou à Lua, por exemplo, conquista que há muitos anos anos era considerada como algo totalmente impossível.
Vencer o impossível é querer "ver o invisível", tal como Fernando Pessoa o defendeu no poema "Horizonte". Se o Homem quer ver o invisível, pode conseguir concretizar o impossível. A História faz-se do possível e do impossível, de conquistas iluminadas pela chama do sonho.

Domingo, 1 de Março de 2009

"Le Prince de ce Monde", de Manu Gomez - Fantasporto 2009

O filme “Le Prince de ce Monde”, de Manu Gomez, aborda os preconceitos, os medos, os desejos do Homem, que o podem levar à loucura, à insanidade e à sua própria destruição.

É o medo do padre Donato, que, apesar de tentar procurar uma vida calma numa aldeia, acaba por se ver subjugado e manipulado por uma seita satânica. A fragilidade que se verifica na personagem principal, o padre Donato, é a mesma de toda a Humanidade que, durante séculos, se esforçou por esconder os seus mais íntimos desejos, prazeres, tidos quer por pensamentos quer por actos. Para “lavar” esses pecados, as pessoas submetem-se à Fé Católica, sem perceberem que o desejo sexual é a semente da vida, o estímulo mais natural do Homem. A fuga contínua aos prazeres da carne leva um padre, bondoso e apaixonado, a cometer crimes horrendos, assim que se vê preso nas armadilhas que a seita satânica lhe preparou. Assim, um “homem de Deus” sacrifica a mulher que ama e o filho que concebeu num ritual ninfomaníaco, como se pagasse a quebra dos seus votos de castidade, redimindo-se dos seus pecados.

O filme de Manu Gomez, através de um enredo repleto de acções simbólicas, como, se pode verificar no início do filme quando o padre queima as revistas pornográficas guardadas no seu novo quarto na paróquia, quando a diabólica Baronesa Florence de Bailleux cospe a hóstia. São também os sonhos e pensamentos do padre Donato da jovem com quem tem relações, a confissão da filha de Florence, a jovem Dominique, dos seus actos de masturbação e da sua possessão pelo demónio, as jovens internadas num hospício vitimizadas pelos rituais diabólicos e, também, as maldições lançadas à jovem amada por Donato, que deixam o espectador compreender o desenlace, o final trágico da história. São essas acções que, mesmo alternadas com acções que transmitem a paz, a calma, a serenidade de uma Igreja e de um padre que luta por uma vida calma e de fidelidade aos seus votos, conduzem a uma destruição dos valores de uma Humanidade assustada e atormentada por Satanás.

É uma história dura, forte, que reflecte que a luta entre o Bem e o Mal não passa de uma farsa, de uma causa perdida, de uma luta ridícula e sem motivo, despoletada pela negação da própria natureza do Homem. É um retrato de uma fé que acaba por cair nas mãos dos pecadores. Na minha opinião, o filme afirma que duas “crenças” opostas e em conflito acabam por ser dois pólos que se atraem. O padre Donato, lutando por não cair nas tentações mundanas, acaba por matar a aristocrata Florence que o seduz e o manipula para que este se torne membro da seita satânica a que pertence. No fim do filme, caído na teia perigosa e infalível de Satã, paga este homicídio com o sacrifício da sua namorada e do seu filho.

A meu ver, todas as acções no filme que constituem as tentativas de persuasão de Donato, armadilhas essas nos quais o padre, tentado, cai, são o clímax do filme. Desenrolando-se a história em torno dessas acções, o espectador é conduzido para um desfecho trágico, no qual se situa o momento de maior suspense, que é o ritual de sacrifício da mulher que ama e do filho, e a chegada dos polícias que o prenderiam e condenariam.

Este filme de Manu Gomez é muito forte, que interroga e abala princípios e valores muito polémicos, e que pode despoletar muita polémica em públicos mais conservadores.

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Poema Falhado

De um sono eterno,
numa noite de lágrimas,
brotou do coração uma pérola.

Julguei, então,
ver na pérola a dádiva merecida,
a honra de saber amar.

Pensei, por um momento,
ser capaz de reconhecer a verdadeira beleza,
pensei saber amar e ser amada,
viver e olhar para a utopia,
onde nascem as raízes do meu ser.

Julguei, cegamente,
com um simples beijo,
ser capaz de apazigauar lágrimas.

Acreditei, loucamente,
que poderia cantar aos céus.

Mas a pérola é apenas uma lágrima,
mais outro espelho de ilusão, de utopia.

Não senti nem o beijo verdadeiro,
nem soube amar e ser amada.
Cega estou de beleza alguma...

Coração que valha uma pérola,
fechado, para sempre, ficará.

Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

O Choro do Soldado


"This female character is based in many poems I've written, and in the legendary female warrior, Joan of Arc.


It symbolizes the loss, the judgement, the sadness of a defeated person."


http://sculptedfailure.deviantart.com